Zhuāngzǐ Capítulo 18: Zhì Lè (至乐) — Felicidade Suprema

Seção: Capítulo Externo (外篇) | Título chinês: 至乐 (Zhì Lè)

Este capítulo pergunta o que constitui a felicidade genuína e conclui que as respostas convencionais — riqueza, honra, vida longa, prazer — são apenas a evitação da infelicidade. O capítulo então confronta a morte, o medo supremo, e argumenta que a morte pode, na verdade, ser uma libertação para um estado que os vivos não conseguem compreender.

O episódio mais famoso do capítulo: depois que sua esposa morre, Zhuāng Zhōu é encontrado sentado no chão, tamborilando numa bacia e cantando. Seu amigo Huì Shī fica escandalizado. Zhuāng Zhōu explica: quando ela morreu pela primeira vez, ele ficou tão tomado pela dor quanto qualquer pessoa. Mas então refletiu. No princípio absoluto, ela não tinha vida. Não apenas nenhuma vida — ela não tinha forma. Não apenas nenhuma forma — ela não tinha Qì (气). Em meio à confusão e ao assombro, algo mudou e houve Qì. O Qì mudou e houve forma. A forma mudou e houve vida. Agora a vida mudou para morte. Isto é como a progressão das quatro estações: primavera, verão, outono, inverno. Ela agora jaz adormecida na grande câmara do Céu e da Terra. Lamentar e chorar seria mostrar ignorância do destino. Então ele parou.

Um segundo episódio mostra Zhuāng Zhōu encontrando uma caveira à beira da estrada. Ele dirige-se a ela com seu chicote de montaria, perguntando se morreu de doença, execução, guerra, fome ou velhice. Naquela noite, a caveira aparece em seu sonho e oferece um testemunho notável: entre os mortos, não há rei acima nem ministro abaixo, nem quatro estações, nem deveres. A felicidade dos mortos supera a de qualquer rei. Zhuāng Zhōu pergunta: você gostaria de voltar à vida? A caveira franze o cenho e responde: por que eu abriria mão da felicidade de um rei para assumir novamente os problemas de uma vida humana?

O capítulo também contém a passagem evolutiva, descrevendo uma cadeia de transformações desde a névoa pulverizada através de uma série de substâncias, plantas e insetos, produzindo por fim cavalos e humanos — um relato cosmogônico que trata todas as formas de vida como estágios em um processo contínuo de transformação.

Para o artista marcial, o ensinamento do capítulo sobre transformação informa a atitude em relação à prática: as formas mudam, as técnicas evoluem, o corpo envelhece. Apegar-se a qualquer estado único — mesmo ao desempenho máximo — produz o mesmo sofrimento que apegar-se à vida produz diante da morte.

Classificação Acadêmica

Escola de Zhuangzi / Escola Transmissora (Liu). Dá continuidade aos temas dos Capítulos Internos sobre a morte e a Transformação das Coisas (Wùhuà 物化).

Passagens-chave em chinês

察其始而本无生,非徒无生也而本无形,非徒无形也而本无气。
Chá qí shǐ ér běn wú shēng, fēi tú wú shēng yě ér běn wú xíng, fēi tú wú xíng yě ér běn wú qì.
— Olhe para o início: originalmente ela não tinha vida. Não apenas nenhuma vida — originalmente ela não tinha forma. Não apenas nenhuma forma — originalmente ela não tinha Qì.
死,无君于上,无臣于下;亦无四时事。
Sǐ, wú jūn yú shàng, wú chén yú xià; yì wú sìshí shì.
— Na morte, não há governante acima, nem ministro abaixo; e não há assuntos das quatro estações.

Parábolas e Episódios-chave

  • Zhuāng Zhōu tamborila numa bacia após a morte de sua esposa — o luto transformado pela compreensão do processo cósmico
  • A caveira à beira da estrada — os mortos são mais felizes que reis e se recusam a retornar
  • A cadeia evolutiva da névoa pulverizada através dos insetos até cavalos e humanos — todas as formas como estágios de transformação
  • A questão da felicidade suprema — riqueza e honra são apenas evitação da infelicidade

Termos-chave

  • Zhì Lè (至乐) — Felicidade suprema, que não pode ser encontrada por meio de buscas convencionais
  • Wùhuà (物化) — Transformação das coisas, a mudança contínua de todas as formas
  • Dà Shì (大室) — A grande câmara, Céu e Terra como o lugar de repouso dos mortos